terça-feira, abril 07, 2009

Retiro 2009 - Monges da Tradição de Thich Nhat Hanh

Como já anunciado, mais uma vez receberemos a visita de monges da tradição de Thich Nhat Hanh. Este ano são dois monges, Thay Phap Dung e Thay Phap Uyen, que vêm de Plum Village para palestras e retiros no Rio, São Paulo e Porto Alegre.

As inscrições para o retiro no Rio de Janeiro (04 a 07 de setembro) já estão abertas. Se você já decidiu, não espere por que as vagas são limitadas e devido à antecedência estamos parcelando o pagamento da inscrição. Garanta já sua acomodação!

Para obter informações acesse o sitehttp://www.viverconsciente.com/retiro2009.html, preencha a ficha de inscrição e envie.

domingo, março 29, 2009

Idéias Como Obstáculos à Verdadeira Felicidade

quarta-feira, março 18, 2009

Você sabe como nutrir o seu amor?

Disse o Buda que "nada pode sobreviver sem alimento". Eis uma verdade simples e muito profunda. O amor e o ódio são coisas vivas. Se você não nutrir o seu amor, ele morrerá. Se você cortar a fonte de alimentação da sua violência, ela morrerá. Se você quiser que seu amor perdure, terá que nutrí-lo todos os dias. O amor não pode viver sem alimento. Se você não cuidar do seu amor, ele morrerá depois de algum tempo e talvez o ódio ocupe o seu lugar.

Você sabe como nutrir o seu amor?

Se não alimentarmos o ódio, ele também morrerá. O ódio e o sofrimento crescem dia após dias por que nós os nutrimos com mais alimentos.

Com que tipo de alimento você tem nutrido sua desesperança e seu ódio?

Se você estiver deprimido, talvez não lhe reste força e energia. Talvez você sinta vontade de morrer. Por que você se sente assim? A depressão não surge sem mais nem menos, do nada. Se conseguirmos identificar o alimento que nutriu nossa depressão, poderemos parar de consumi-lo. Com isso, em poucas semanas nossa depressão morrerá de inanição. Se você não souber que está cultivando sua depressão, continuará a fazer isso todos os dias. O Buda dizia que se soubermos examinar nosso sofrimento em profundidade e identificar o que o alimenta, já estamos a caminho da emancipação.

terça-feira, março 03, 2009

Acolher a Dor

Voltar para nós mesmos, para reconhecer a nosa dor, a nossa aflição, nosso medo e nossa raiva é uma prática fundamental. A plena consciência e a concentração nos ajudam a fazê-lo sem o medo de sermos arrastados por essas energias negativas. Muitos de nós tememos estar sozinhos consigo mesmos, por temer a enorme quantidade de medo, solidão e raiva que existe em nós. Por isso tentamos disfarçar e evitar esses blocos de sofrimento consumindo comida, televisão, livros e álcool. Com a energia gerada quando se respira e se caminha com plena consciência é possível entrar em contato com a própria dor sem que ela nos domine.

A energia da plena consciência nos ajuda a reconhecer a dor e acolhê-la carinhosamente, como uma mãe cuidando do bebê que chora. Quando o bebê chora, a mãe pára o que estiver fazendo, pega a criança e segura-a com ternura em seus braços. A energia da mãe penetra no bebê que logo se sente reconfortado. Quando reconhecemos e acolhemos a dor e a aflição em nós, elas se acalmam como o bebê nos braços da mãe.

Ao tocarmos a raiva, a dor e o medo com plena consciência, podemos reconhecer as raízes das nossas aflições. Com plena consciência podemos reconhecer também o sofrimento na pessoa que amamos. Se ela fala ou age agressivamente, podemos compreender que ela é vítima de um sofrimento com o qual não sabe lidar. Esta percepção faz com que desejemos ajudar essa pessoa a transformar seu sofrimento do mesmo modo que transformamos o nosso.

No momento em que experimentamos a felicidade e a paz verdadeiras é muito fácil transformar a nossa raiva. Não precisamos lutar mais. Nossa raiva começa a se desmanchar porque conseguimos introduzir elementos de paz e alegria no nosso corpo e na nossa consciência todos os dias. Esta prática básica pode transformar a raiva, o medo e a violência que carregamos dentro de nós, para que possamos ser mais úteis a nós mesmos e ao nosso país.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Manutenção

Olá amig@s,
durantes esses dias estarei dando uma mudada no visual do blog, para ficar mais prático (e as pessoas terem acesso mais facilmente a todo o conteúdo), mais econômico (em termos de energia elétrica, ou seja, uso do fundo negro) e melhor organizado.

Daqui a pouquinho o conteúdo estará novamente todo no ar!
obrigado a tod@s
samuel

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Paz a Cada Passo




Documentário sobre Thich Nhat Hanh (Thây), com legendas em português, momentos antes da guerra do golfo, durante retiros para veteranos da Guerra do Vietnã e para ativistas do meio ambiente. Neste vídeo pode ser encontrado um pouco da história e da visão do budismo engajado, tal como preconizado por Thây, além de vários depoimentos de ex-soldados e pessoas do movimento ambientalista.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

O Insight da Impermanência

O insight da impermanência não é apenas uma compreensão intelectual. Existe uma grande diferença entre a idéia da impermanência e o insight da impermanência. O ensinamento da impermanência é oferecido apenas para que possamos realizar o insight da impermanência. Nós temos que saber usar esse ensinamento de maneira inteligente para conseguirmos esse insight. Temos que ter cuidado para não sermos apanhados pelo dogma, pela compreensão intelectual da impermanência, não-eu e Nirvana. Nós temos que conseguir transformar o que aprendemos em insight real e manter esse insight no nosso dia-a-dia.

O insight da impermanência pode iluminar cada momento de sua vida. Quando acendemos um fósforo, uma chama é produzida. É por causa do fósforo que a chama é produzida, mas quando a chama se manifesta começa por consumir o fósforo. A noção de impermanência é como um fósforo; o insight da impermanência é a chama. Uma vez que tenhamos recebido o insight não precisamos mais carregar a noção. O insight substitui nossa compreensão conceitual limitada.

Não podemos nos libertar com uma simples noção. Podemos falar sobre isso o quanto pudermos, mas sem insight real não haverá chance em nossas vida e no mundo. Se soubermos como praticar a observação profunda para transformar a nossa noção de impermanência e não-eu na chama do insight concreto, esse insight irá iluminar nossa vida cotidiana, momento a momento. Você saberá o que fazer e o que não fazer para trazer bem-estar e felicidade para si mesmo e para os outros.

sábado, janeiro 31, 2009

Primeiro Treinamento da Plena Consciência



Este pequeno vídeo mostra o Primeiro dos Cinco Treinamentos da Plena Consciência, tais como concebidos pelo Ven. Thich Nhat Hanh.
Thich Nhat Hanh, ou Thay, é conhecido por cunhar a expressão "Budismo Engajado", modo de integrar o budismo à sociedade moderna e apresentar suas propostas práticas de superação dos dilemas individuais e coletivos no contexto da crise de nossa civilização.

PS: É a minha primeira experiência em fazer algo desse tipo, espero que gostem!

Samuel Cavalcante

sábado, janeiro 17, 2009

Tocar a Terra



Quando foi desafiado por Mara - que personifica o ilusório - Buda tocou a terra com a mão direita e disse "Tendo a terra por testemunha, ficarei sentado aqui, em estado de meditação, até que experimente o verdadeiro despertar". Diante disso, Mara desapareceu.

Às vezes, nós também somos visitados por Mara - quando sentimos irritação, insegurança, raiva ou infelicidade. Quando isto acontecer, toque o chão firmemente com seus pés. Pratique a meditação andando. A Terra, nossa mãe, está cheia de amor por nós. Se estivermos sofrendo, ela irá nos proteger, alimentando-nos com suas belas árvores, ervas e flores.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

O Terceiro Toque da Terra

Como praticar? (Clique aqui)

Terceiro Toque da Terra

Tocando a terra, abandona a idéia de que sou esse corpo e de que meu tempo de vida é limitado. Compreendo que este corpo, constituído de quatro elementos, de fato não me representa e nem me limita. Faço parte de uma corrente de vida de ancestrais espirituais e antepassados de sangue que, por milhares de anos, vem fluindo no presente e assim continuará por milhares de anos no futuro. Sou um só com meus ancestrais, com todos os povos e todas as espécies, sejam pacíficos e destemidos, sejam sofredores e amedrontados. Neste exato momento, estou em toda parte deste planeta. Estou presente também no passado e no futuro. A desintegração deste corpo não me altera, do mesmo modo que, quando as flores da ameixeira caem, isso não significa o fim desta árvore. Vejo-me como uma onde na superfície do oceano, minha natureza é a água do oceano. Estou em todas as outras ondas, e todas as outras ondas estão em mim. O aparecimento e desaparecimento da forma da onda não afetam o oceano. Meu corpo de Dharma e a sabedoria da vida não estão sujeitos ao nascimento e à morte. Vejo-me presente antes mesmo da manifestação do meu corpo físico e depois da sua desintegração. Mesmo nesse momento, vejo como também existo em outro lugar que não é este corpo. Setenta ou oitenta anos não é o meu tempo de vida. Meu período de vida, como o de uma folha ou de um Buda, não tem limite. Eu já ultrapassei a idéia de que sou um corpo separado no espaço e no tempo das demais formas de vida.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

O Segundo Toque da Terra

Este é o Segundo, na sequência de iniciarmos o ano com a prática dos Três Toques da Terra. É uma prática muito especial que nos ajuda a retornar à Terra e às nossas raízes espirituais e de sangue, restabelece a comunicação e as conexões que costumamos perder pouco a pouco em meio à nossa vida.

Como praticar? (Clique aqui)


Segundo Toque da Terra

Tocando a terra, conecto-me a todas as pessoas e a todas as espécies que estão vivas neste momento, neste mundo comigo. Sou um com o maravilhoso padrão de vida que se irradia em todas as direções. Sinto a estreita conexão existente entre mim e os outros – sinto como todos nós compartilhamos felicidade e sofrimento. Sou um também com aqueles que nasceram deficientes ou que foram incapacitados em decorrência de guerras, acidentes ou doenças. Sou um com os que foram subjugados em uma situação de guerra e opressão. Sou um também com os que não encontram felicidade na vida familiar, que não têm raízes e nem paz de espírito, que têm sede de compreensão e amor, que estão a procura de algo bonito, sadio e verdadeiro a que possam abraçar e em que possam acreditar. Sou alguém prestes a morrer, que está com muito medo e não sabe o que vai acontecer. Sou ao mesmo tempo a criança que vive em um lugar onde existe miséria e doença, cujos braços e pernas se assemelham a gravetos e que não têm futuro. Sou o fabricante de bombas que são vendidas aos países pobres. Sou o sapo nadando no lago e sou também a cobra que precisa do corpo do sapo para alimentar seu próprio corpo. Sou a lagarta e a formiga que o pássaro está procurando para comer. E sou também o pássaro que está procurando a lagarta e a formiga. Sou a floresta que está sendo devastada. Sou os rios e o ar que estão sendo poluídos e sou a pessoa que derruba a floresta e polui os rios e o ar. Vejo a mim mesmo em todas as espécies e também vejo todas as espécies em mim.

terça-feira, janeiro 06, 2009

O Primeiro Toque da Terra

Com este primeiro, iniciamos o ano com a prática dos Três Toques da Terra. É uma prática muito especial que nos ajuda a retornar à Terra e às nossas raízes espirituais e de sangue, restabelece a comunicação e as conexões que costumamos perder pouco a pouco em meio à nossa vida.

Como praticar? (Clique aqui)


Primeiro Toque da Terra


Tocando a terra, conecto-me aos meus ancestrais e aos descendentes das minhas duas famílias: a espiritual e a de sangue. Meus antepassados espirituais são o Buda, os bodhisattvas, o nobre sangha de discípulos, [por favor, insira outros nomes que você gostaria de incluir, como os de Jesus, Moisés, Maomé etc] e meus próprios mestres espirituais ainda vivos ou falecidos. Eles estão presentes dentro de mim porque me transmitiram sementes de paz, sabedoria, amor e felicidade. Despertaram em mim os meios da compreensão e da solidariedade. Quando olho para os meus antepassados espirituais, vejo aqueles que são perfeitos na prática dos preceitos, da compreensão e da solidariedade e também os que não atingiram a plena perfeição. Aceito todos eles, pois reconheço que possuo imperfeições e fraquezas. Consciente de que nem sempre sou perfeito na prática dos preceitos e que nem sempre sou compreensivo e solidário como gostaria de ser, abro meu coração e aceito todos os meus descendentes espirituais. Alguns deles praticam os preceitos, a compreensão e a solidariedade de um modo que inspira confiança e respeito, mas existem também os que encontram muitas dificuldades e estão constantemente sujeitos a altos e baixos na sua prática.

Da mesma maneira, aceito todos os meus antepassados maternos e paternos. Aceito todas as suas boas qualidades e ações virtuosas, bem como todas as suas fraquezas. Abro meu coração e aceito todos os meus descendentes de sangue com as suas boas qualidades, talentos e também com suas fraquezas.

Meus antepassados e descendentes espirituais e de sangue fazem, todos eles, parte de mim. Eu sou eles e eles são eu. Não tenho um eu separado. Tudo existe como parte de uma maravilhosa corrente de vida que está em constante movimento.

terça-feira, dezembro 30, 2008

Colegiado Buddhista Brasileiro - Comunicado

Querid@s amig@s

Abro agora este espaço para um comunicado do Colegiado Buddhista Brasileiro. É uma orientação muito importante para os simpatizantes e praticantes do budismo no Brasil acerca de alguns princípios que podem ajudar no reconhecimento das práticas mais saudáveis do Dharma no país. Como o próprio texto diz, não é um mecanismo normatizador e nem pretende sê-lo, mas se oferece como referência, embasada na experiência de professores reconhecidos de diversas tradições, para aqueles que estão na busca e se defrontam com as mais diferentes formas e situações sob a mesma denominação genérica de "budismo" - principalmente quando há alguma relação financeira associada.

Portanto, sintam-se livres para ler, refletir e adotar ou não as orientações aqui expressas e as quais endosso.

Clique no link abaixo para ter acesso ao comunicado:

Comunicado do CBB

Samuel Cavalcante

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Prática e prece

"Vocês ouviram o que foi dito: 'Ame seu próximo e odeie seu inimigo.' Eu, porém, lhes digo: amem seus inimigos, abençoem aqueles que os amaldiçoam, façam o bem àqueles que os odeiam e orem por aqueles que rancorosamente os usam e os perseguem. Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu: porque ele faz o sol nascer sobre os maus e os bons, e a chuva cair sobre os justos e os injustos." Muitas pessoas rezam a Deus porque querem que Ele satisfaça algumas de suas necessidades. Se elas querem fazer um piquenique, pedem a Deus que lhes dê um dia claro e ensolarado. Ao mesmo tempo, os agricultores poderão estar rezando para pedir chuva. Se o tempo ficar bom, as pessoas que querem fazer o piquenique dirão: "Deus está do nosso lado; Ele atendeu às nossas preces." Mas, se chove, os fazendeiros dirão que Deus ouviu as preces deles. É dessa maneira que costumamos rezar. Quando você reza apenas pelo seu piquenique, e não pelos fazendeiros que precisam de chuva, está fazendo o oposto do que Jesus ensinou. Jesus disse: "Amem seus inimigos, abençoem aqueles que os amaldiçoam." Se você examinar profundamente sua raiva, perceberá que o indivíduo que você chama de inimigo também está sofrendo. Tão logo você compreende esse fato, a capacidade de aceitar e ter compaixão por essa pessoa passa a estar presente. Jesus chamou essa atitude de "amar seu inimigo".


Quando você é capaz de amar seu inimigo, ele deixa de ser seu inimigo. A idéia de "inimigo" desaparece e é substituída pela noção de alguém que está sofrendo e precisa de compaixão. Fazer isso às vezes é mais fácil do que você poderia imaginar, mas é preciso praticar. Ler a Bíblia sem praticar não é muito proveitoso. No budismo, praticar os ensinamentos de Buda é a forma mais elevada de prece. O Buda disse: "Se alguém estiver numa margem e quiser ir para a outra, terá de usar um barco ou atravessar o rio a nado. Ele não pode simplesmente rezar: 'Oh, outra margem, por favor venha até aqui para que eu possa caminhar sobre você!''' Para um budista, rezar sem praticar não implica a verdadeira prece.

terça-feira, dezembro 23, 2008

Vacuidade

Quando eu era uma criança, costumava brincar com um caleidoscópio. Eu pegava um tubo com alguns cacos de vidro, girava um pouco, e tinha muitas visões maravilhosas. Cada vez que fazia um pequeno movimento com meus dedos, uma imagem desaparecia e outra surgia. Eu não chorava de modo algum quando o primeiro espetáculo desaparecia porque eu sabia que nada havia se perdido. Uma outra bela imagem sempre se seguia. Se você for a onda e se tornar um com a água olhando para o mundo com os olhos da água, então você não sentirá medo de subir e descer, subir e descer... Mas, por favor, não se satisfaça com mera especulação ou apenas com o que estou dizendo. Você mesmo precisa entrar, provar, ser um com todas as coisas. Isto pode ser feito através da meditação, não apenas na sala de meditação, mas ao longo de sua vida diária. Enquanto você cozinha uma refeição, arruma a casa, enquanto sai para caminhar, você pode olhar para as coisas e tentar vê-las na natureza da vacuidade. Vacuidade é uma palavra otimista; não é pessimista, absolutamente. Quando Avalokita, em sua profunda meditação sobre a Perfeita Compreensão, foi capaz de ver a natureza da vacuidade, repentinamente ele sobrepujou todo o medo e dor. Eu tenho visto pessoas morrerem muito pacificamente, com um sorriso, porque elas vêem que nascimento e morte são apenas ondas na superfície do oceano, ou apenas o espetáculo no caleidoscópio.

Assim, você vê que há muitas lições que podemos aprender com a nuvem, a água, a onda, a folha e o caleidoscópio; e com tudo o mais que há no cosmos, também. Se você olhar cuidadosamente para qualquer coisa, profundo o suficiente, você descobrirá o mistério do interser e, assim que você tenha visto isso, nunca mais estará sujeito ao medo - medo do nascimento, ou da morte. Nascimento e morte são apenas idéias que temos em nossas mentes, e estas idéias não podem ser aplicadas à realidade. É exatamente o que ocorre com a idéia de “acima” e “abaixo”.

Nós estamos muito seguros de que quando apontamos com a mão para o alto é “acima”, e quando na direção oposta é “abaixo”. O céu é acima, o inferno é abaixo. Mas, as pessoas que, neste exato momento, estão sentadas do outro lado do planeta deverão discordar, porque a idéia de acima e abaixo não se aplica ao cosmos, exatamente como a idéia de nascimento e morte.

Então, por favor, continue a olhar para trás e você verá que você sempre esteve aqui. Vamos olhar juntos e penetrar na vida de uma folha, até nos tornarmos um com ela. Vamos penetrar e ser um com a nuvem, ou com a onda, até compreedermos a nossa própria natureza como água e ficarmos livres do nosso medo. Se olharmos bem profundamente, nós transcenderemos nascimento e morte.

Amanhã eu continuarei a existir. Mas você terá de estar muito atento para me ver. Eu serei uma flor, ou uma folha. Eu estarei nestas formas e direi “Alô!” para você. Se você estiver suficientemente atento, você vai me reconhecer; e você poderá me cumprimentar. Eu ficarei muito feliz.

domingo, dezembro 07, 2008

Eu Cheguei

"Eu cheguei" é a nossa prática em Plum Village. Quando você inspira, toma refúgio em sua inspiração, e diz "Eu cheguei". Quando você dá um passo, você toma refúgio no seu passo e diz "Eu cheguei". Isto não é uma declaração para si mesmo ou pra outra pessoa. "Eu cheguei" significa eu parei de correr. Eu cheguei no momento presente, por que somente o momento presente é vida. Quando eu inspiro e tomo refugio em minha inspiração, toco a vida profundamente. Quando dou um passo e tomo refúgio inteiramente no meu passo, também toco a vida profundamente e, desse modo, paro de correr. Parar de correr é uma prática muito importante. Corremos durante toda a nossa vida. Acreditamos que a paz, a felicidade e o sucesso estão presentes em algum lugar e em algum tempo. Não sabemos que tudo - paz, felicidade e estabilidade - deveriam ser procurados no aqui e agora. Este é o endereço da vida - a interseção do aqui e do agora.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Budismo Engajado

O termo “budismo engajado” foi criado para restaurar o verdadeiro significado do budismo. Budismo engajado é simplesmente o budismo aplicado em nosso dia-a-dia. Se não é engajado, não pode ser chamado budismo. As práticas budistas não devem ser feitas somente nos monastérios, centros de meditação e institutos budistas, mas em qualquer situação na qual nos encontremos. Budismo engajado significa atividades do dia-a-dia combinadas com a prática da plena consciência.

Existe uma real necessidade de levarmos o budismo para a sociedade, especialmente quando você se encontra em uma situação de guerra ou injustiça social. Durante a guerra do vietnã se tornou muito claro que deveríamos praticar o budismo engajado, para que a solidariedade e a compreensão pudessem se tornar parte da vida do povo. Quando sua vila é bombardeada e destruída e quando seus vizinhos se tornam refugiados, você não pode simplesmente continuar a praticar a meditação sentada na sala de meditação. Mesmo que o templo não tenha sido bombardeado e a sua sala de meditação esteja intacta, ainda assim você poderá ouvir os gritos das crianças feridase poderá ver a dor dos adultos que perderam suas casas. Como é que você pode continuar a se sentar lá de manhã cedo, à tarde e à noite? É por isso que você tem que encontrar um jeito de levar a sua prática para a vida cotidiana e sair para ajudar as outras pessoas. Você pode fazer tudo o que você puder para aliviar o sofrimento. Mesmo que você saiba que se abandonar a prática de sentar-se e caminhar com plena consciência, você não será capaz de retomá-la por um longo tempo.

É importante que ao mesmo tempo em que nos tornemos voluntários ou tomemos parte no ativismo ambiental, encontremos uma maneira de continuar nossa prática de respirar, caminhar e falar com plena consciência. Não nos deixemos cair na raiva ou no desespero ao refletir sobre o estado atual do mundo, ou quando confrontados com aqueles que se engajam no desperdício dos recursos naturais. Pelo contrário, podemos fazer de nossa vida um exemplo de vida simples. A escuta profunda e a fala amorosa podem nos ajudar a apoiar a transformação dos indivíduos e da sociedade e nutrir o despertar coletivo que irá salvar nosso planeta e nossa civilização.

Se quisermos ter sucesso na prática da fala amorosa, precisamos saber como lidar com nossas emoções quando elas nos chegam à superfície. Toda vez que a raiva, a frustração ou a tristeza sugirem, temos que ter a capacidade de lidar com elas. Isso não significa lutar com elas, suprimí-las ou expulsá-las. Nossa raiva e nosso desapontamento são parte de nós, não devemos fazer isso. Quando oprimimos a nós mesmos, cometemos um ato de violência contra nós mesmos. Se soubermos como retornar à respiração consciente, criaremos um ambiente de verdadeira presença e geraremos a energia do contato. Com essa energia reconheceremos e abraçaremos nossa tristeza, raiva ou desapontamento com bondade e amor.

Trabalho social e de ajuda realizados sem a prática da plena consciência não podem ser descritos como budismo engajado. Todos os que fazem esse trabalho correm o risco de se perder no desespero, na raiva ou na frustração. Se você estiver realmente praticando o budismo engajado, então você saberá preservar-se a si próprio como praticante, ao mesmo tempo em que faz coisas para ajudar as pessoas no mundo. Budismo verdadeiramente engajado é, antes de tudo, a prática da plena consciência em tudo o que fizermos.

quinta-feira, novembro 13, 2008

Transformando Nosso Presente e Nosso Passado

Todos nós cometemos erros no passado. Mas esses erros podem ser apagados. A gente pode até pensar que pelo fato do passado já ter ocorrido, não podemos mais voltar e corrigir os nossos erros. Mas o passado criou o presente, por isso, ao praticarmos a plena consciência no presente, estaremos naturalmente em contato com ele. Ao transformarmos o presente, transformamos ao mesmo tempo o passado. Nossos ancestrais, pais, irmãos e irmãs estão intimamente ligados a nós – nosso sofrimento e felicidade estão intimamente ligados ao deles, assim como o sofrimento e a felicidade deles estão intimamente ligados ao nosso. Se pudermos transformar a nós mesmos, estaremos transformando-os também. Nossa própria emancipação, paz e alegria significam a emancipação, paz e alegria dos nossos pais e ancestrais. Centrarmo-nos no presente para transformá-lo é a única forma de trazer paz, alegria e emancipação para aqueles que amamos e curar as feridas que provocamos no passado.

segunda-feira, novembro 03, 2008

A Mente Desperta Tem Que Ser Engajada

Quando eu vivia no Vietnã, muitas das nossas aldeias foram bombardeadas. Em conjunto com meus irmãos e irmãs monásticos, tive que decidir o que fazer. Deveríamos continuar nossas práticas nos mosteiros ou deveríamos sair dos templos de meditação para ajudar as pessoas que sofriam com as bombas? Após uma reflexão cuidadosa, resolvemos fazer as duas coisas: sair para ajudar as pessoas e fazer isso com a plena consciência. Chamamos essa prática de budismo engajado. A plena consciência tem que ser engajada. Se existe a visão, tem que existir a ação. Do contrário, de que valeria a visão?

Devemos estar alertas para os verdadeiros problemas do mundo. Assim, com plena consciência, saberemos o que fazer e o que não fazer para ajudar. Se nos mantivermos cientes da nossa respiração e continuarmos a praticar o sorriso, mesmo em situações difíceis, muitas pessoas, animais e plantas irão se beneficiar da nossa forma de agir. Você massageia a Mãe Terra cada vez que o seu pé a toca? você costuma plantar sementes de alegria e paz? Eu tento fazer exatamente isso a cada passo, e sei que a Mãe Terra aprecia imensamente. A paz a cada passo. Vamos continuar nossa jornada?

domingo, outubro 12, 2008

Não fique aí fazendo alguma coisa. Sente-se!

Muitas vezes dizemos a nós mesmos, " Não fique aí sentado, faça alguma coisa!". Quando praticamos a plena consciência, porém , descobrimos que o contrário pode ainda ser mais valioso: "Não fique aí fazendo alguma coisa. Sente-se!". Precisamos aprender a parar de vez em quando a fim de ver com nitidez. A princípio, "parar" pode parecer uma "resistência à vida moderna", mas não se trata disso. "Parar" não é só uma reação; é um estilo de vida. A sobrevivência da humanidade depende de nossa cpacidade de desacelerar. Temos mais de 50.000 bombas atômicas e, mesmo assim, não conseguimos parar de fabricar mais. "Parar" não significa um basta ao que é negativo, mas também permitir que se realize uma cura positiva. É esse o propósito da nossa prática - não evitar a vida, mas experimentar e comprovar que a felicidade é possível agora e também no futuro.